
Por ALEXANDRE CUMINO
Dois amigos se orgulhavam muito de sua amizade e lealdade, eram vizinhos.
Viviam bem, mas não faziam oferenda a Exu.
Certa tarde, se encontravam os dois, como de costume,
conversando nos limites de sua propriedade, quando Exu passou por entre eles, usando um chapéu metade branco e metade vermelho.
Estranhando aquela figura entre eles, um comentou com outro:
- Muito estranho aquele homem de chapéu vermelho.
- Chapéu vermelho, não. O chapéu era branco.
E assim passaram a discutir a cor do chapéu entrando em briga e inimizade.
Muitas vezes Exu parece ser "o espírito de porco" na mitologia nagô-yorubá, mas o que não nos damos conta é que ele vem para mexer e cutucar o nosso ego.
O fato dos homens não fazerem oferenda a exu diz muito a seu respeito, pois quem não oferenda exu, não oferenda a ninguém, que passa uma idéia de auto-suficiência com relação ao sagrado.
Exu nos lembra o tempo todo que vivemos em sociedade e precisamos uns dos outros, para um bem viver, já que o ser humano é um ser relacional, que não existe fora da malha dos relacionamentos.
Por isso, se diz que "na Umbanda, sem Exu não se faz nada", o que não se limita a ele apenas, pois é Exu que abre a porta de comunicação deste mundo para outro mundo, entre o ayê (a terra) e o orun (o céu).
Quanto aos dois amigos, o orgulho de uma amizade também pode ser elemento da vaidade humana
que é colocada em xeque quando é questionada a verdade de cada um.
Estar certo ou ter razão segundo o ego de cada um muitas vezes é colocado acima da harmonia do conjunto.
Não precisamos apenas de Exu... vivemos em sociedade e é isso que Exu ensina.
Precisamos todos uns dos outros...
Quanto às lendas, são metáforas e cabe a nós,
interpretar e compreender o seu simbolismo.
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