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terça-feira, 3 de junho de 2008

Exu e os dois amigos


Por ALEXANDRE CUMINO

Dois amigos se orgulhavam muito de sua amizade e lealdade, eram vizinhos.

Viviam bem, mas não fa­ziam oferenda a Exu.

Certa tarde, se encontravam os dois, como de costume,

conversando nos limites de sua propriedade, quando Exu passou por entre eles, usando um chapéu metade branco e metade ver­melho.

Estranhando aquela figura entre eles, um comentou com outro:

- Muito estranho aquele homem de chapéu vermelho.

- Chapéu vermelho, não. O chapéu era branco.

E assim passaram a discutir a cor do chapéu entrando em briga e inimi­zade.

Muitas vezes Exu parece ser "o espírito de porco" na mitologia nagô-yorubá, mas o que não nos damos conta é que ele vem para mexer e cutucar o nosso ego.

O fato dos homens não fazerem oferenda a exu diz muito a seu respeito, pois quem não oferenda exu, não oferenda a nin­guém, que passa uma idéia de auto-suficiência com relação ao sagra­do.

Exu nos lembra o tempo todo que vivemos em sociedade e precisa­mos uns dos outros, para um bem viver, já que o ser humano é um ser relacional, que não existe fora da malha dos relacionamentos.

Por isso, se diz que "na Umbanda, sem Exu não se faz nada", o que não se limita a ele apenas, pois é Exu que abre a porta de comunicação deste mundo para outro mundo, entre o ayê (a terra) e o orun (o céu).

Quanto aos dois amigos, o orgulho de uma amizade tam­bém pode ser elemen­to da vaidade humana

que é colocada em xeque quando é ques­tionada a verdade de cada um.

Estar certo ou ter razão segundo o ego de cada um muitas vezes é colo­cado acima da har­monia do conjunto.

Não precisamos apenas de Exu... vivemos em sociedade e é isso que Exu ensina.

Precisamos todos uns dos outros...

Quanto às lendas, são metáforas e cabe a nós,

interpretar e compreender o seu simbolismo.

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